
Esta semana o mundo da música viveu um momento um tanto quanto importante: o lançamento do álbum mais caro, mais aguardado e mais demorado da história da música! “Chinese Democracy” chegou às lojas de todo o mundo no último dia 23 e o alvoroço em cima do disco não poderia ser menor, afinal de contas estamos falando do primeiro disco de músicas inéditas do Guns N’Roses em 17 anos. E também não estamos falando de uma banda qualquer, afinal de contas o grupo liderado por Axl Rose representa um dos maiores fenômenos da Cultura Pop dos anos 90, tendo vendido até hoje quase 200 milhões de discos e realizado a mais lendária turnê já vista pela humanidade.
Eu, que ainda não era adolescente lá pelos idos de 1992 (quando o Guns vivia seu momento máximo) conheci o legado da banda californiana quando cheguei aos meus 15 anos. E, realmente, não dá pra passar indiferente pelo Guns: ou você gosta, ou você não gosta. O estilo excêntrico de seu frontman, somado ao estilo do guitarrista Slash (que simplesmente definiu o estereótipo do guitarrista “estrela”) e às canções melosas mas suficientemente pesadas da banda foram fatores que chamaram a atenção de um cenário que ainda vivia a ressaca deixada pelo rock dos anos 80.
O Guns quebrou barreiras e definiu conceitos no cenário musical e seu declínio, em meados de 1994, abriu um espaço que jamais foi preenchido: de lá pra cá o vocalista Axl Rose tornou-se o único proprietário da marca Guns N’Roses, colecionando polêmicas, conflitos e ex-integrantes. Resultado? O Guns nunca mais conseguiu lançar algo novo, até agora.
É quando chegamos, finalmente, em novembro de 2008: 11 anos após Axl Rose divulgar que a banda estaria trabalhando em um novo álbum e nada menos que 13 milhões de dólares gastos na produção de “Chinese Democracy”, finalmente podemos ouvir o resultado final de toda essa expectativa. E quer saber a minha opinião? Eu gostei. Não só gostei como me surpreendi ao perceber que “Chinese Democracy” é um excelente álbum e a voz de Axl Rose (não sei até que ponto o trabalho de estúdio influenciou) ainda está viva e marcante.
Se eu fosse Axl e tivesse um certo senso de localização, talvez mudaria o nome da banda e lançaria “Chinese Democracy” com uma assinatura diferente, sem o nome Guns N’Roses. Isto reduziria a responsabilidade em cima do disco e, por si só, já abriria o leque para interpretações mais flexíveis. Slash, por exemplo, fez isso com o Velvet Revolver e conseguiu chamar a atenção na proporção certa, sem maiores estardalhaços, mas enfim…
Bom, já que estamos falando em Guns, é verdade que “Chinese Democracy” não soa épico como os “Use Your Illusion” ou o “Appetite for Destruction”, mas ainda assim não deixa de ser um excelente álbum de hard-rock. E com alguns momentos nostálgicos também: as canções “Shackler’s Revenge”, “Madagascar”, e “This I Love”, por exemplo, não decepcionam em mostrar um Guns parecido com o de Slash. Fica evidente que falta, sim, a diferenciação imposta pelas guitarras de Slash mas, se pararmos pra pensar que “Chinese Democracy” precisou de 12 estúdios para ser gravado e mais de uma dúzia de músicos oficiais (somando os integrantes atuais com os que passaram pela banda desde que o álbum começou a ser gravado) não dá pra dizer que o trabalho ficou ruim.
Axl Rose tenta compensar os momentos menos inspirados com efeitos de estúdio e batidas que desfilam pelo pop, pelo hip-hop e até por inspirações eletrônicas, mas o que me deixou feliz, de verdade, foi poder ouvir a voz rouca e desgrenhada que marcou a minha adolescência novamente: e talvez seja por isso que “Chinese Democracy” já tenha chegado na casa dos milhões, afinal, além de mim existem pelo menos mais uns 200 milhões de sujeitos que pensam mais ou menos do mesmo jeito.
Pedro Brisola
29, novembro , 2008 às 17:42
Apesar de estar vivendo minha adolecência muito tempo depois do seu auge, jah fui muito fã de guns das antigas, quem nunca foi uma vez na vida?!e apesar de que guns pra min eh akele de axl e slash juntos, realmente chinese democracy fiko muito bom sim, curti bastante!!