Outro dia, assistindo a apresentação da Blitz no Programa do Jô, acabei pensando que a teatralidade das bandas é mesmo algo que está morrendo. Não se vê muito disso hoje em dia. E, convenhamos, quem aí nunca curtiu o Mamonas Assassinas, talvez a banda que mais caracterize esse “estilo” de apresentações ao vivo? Da Blitz eu confesso que nunca fui muito fã, mas admiro a personalidade e a presença de palco que fez a turma do Evandro Mesquita e da Fernanda Abreu um dos maiores fenômenos da música brasileira nos anos 80.
E aí, logo um dia depois desses meus devaneios, acabei ficando acordado até bem mais tarde na última terça-feira para acompanhar as notícias do apagão histórico e, claro, para pegar um pouco da entrevista com o Ronaldo Fenômeno, também no Jô. E não é que, para minha surpresa, estava lá para abrir o programa uma banda chamada Gogol Bordello, com uma presença de palco fantástica e uma música pra lá de divertida?
Pois é, nunca tinha ouvido falar dessa banda “multinacional” mas virei fã logo na primeira passada. Os caras são uma mistura étnica bizzara formada por um ucraniano, um japonês, um russo, um israelita, um etíope, um americano, uma tailandesa e uma escocesa. Se conheceram em Nova Iorque no final da década de noventa e rodam o mundo fazendo uma mistura de sons que passeia por influências do indie rock, folk-punk, gypsy punk e (principalmente) música cigana.
Além de divertidos no palco, o Gogol Bordello parece ser o tipo de grupo apaixonado pela música, mais e antes que qualquer outra coisa. Assistindo à entrevista e interpretando as filosofias do vocalista Eugene Hütz (que por sinal, parce o Vladimir Brichta), deu pra perceber o estilo ideológico, apaixonado e autêntico e porque não dizer “romântico”. Até na hora da tradicional água que os convidados do Jô bebem, eles pediram algo que representasse mais “hospitalidade”, e foram pra caipira com cachaça… Fantástico! A entrevista na íntegra tá aqui:
O Gogol Bordello é considerado ‘O Borat da Música’ e é uma das bandas mais criativas da música pop nesses nossos pobres e repetitivos dias, como disse o Speculum no Obvious. Com certeza suas performances estão anos-luz à frente de qualquer coisa que nós, meros mortais, já assistimos. Curte aí:
A banda faz show amanhã (13/11) no Indie Rock Festival, em São Paulo.

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