
Quando a Apple lançou a iTunes Store nos Estados Unidos, há cinco anos, muitos acharam que seria um tiro no pé. A história, porém, provou que Steve Jobs mais uma vez acertava na estratégia: hoje a loja virtual da Apple tem em seu catálogo cerca de 6 milhões de músicas digitalizadas, incluindo álbuns brasileiros, e já vende mais do que a própria loja fÃsica do Wal Mart, o maior varejista do mundo. O sucesso, obviamente, é escorado na popularidade do iTunes, o player de música gratuÃto da Apple que, na minha opinião, é o mais bacana de todos.
A verdade é que eu uso o iTunes desde 2004, quando a versão para Windows foi lançada, e desde então minha biblioteca de músicas vem sendo atualizada “no braço”, pois aquela coleta automática de capas e info tags das músicas só é aberta pra quem tem uma conta na iTunes Store. Eu até tentei me cadastrar nos serviços algumas vezes, usando meu Cartão de Crédito Internacional, mas a sacanagem é que o Cartão precisa ser expedido no exterior pra que a coisa funcione.
Sacanagem à parte, parece que finalmente a Apple acerta detalhes para lançar a iTunes Store no Brasil, logo após a chegada do iPhone. O site venderá música, vÃdeos e filmes em reais no paÃs. O preço de cada música deverá ficar em torno de R$ 2.
Por aqui, a venda de música digital ainda está engatinhando, mas movimentou no ano passado R$ 24,5 milhões - 8% da receita do setor fonográfico no paÃs. Curiosamente, segundo a notÃcia publicada ontem pela Folha, a venda de música digital no Brasil é maior pelo celular do que pela internet. No ano passado, 75% de toda essa receita foi movimentada através de celulares, onde o custo e impostos são maiores.
A negociação já era especulada há anos, mas devido a resistência das operadoras de cartão, acabaram não fluindo. Como a venda de música envolve valores muito baixos e inúmeras transações, as operadoras queriam cobrar um percentual considerado alto demais pela Apple, que não abria mão de vender música com um preço internacional. Também pediam um valor mÃnimo por venda, entre R$ 10 e R$ 20, mas a Apple descartou mudar seu modelo de negócio.
Pelo menos, pouco a pouco, o Brasil está atravessando as fronteiras da tecnologia e, com estratégias como estas, é menos incentivo à Pirataria. E mais comodidade para as minhas listas no iTunes.