É lamentável pensar que o Brasil, um país que registrou um crescimento superior a 20% no mercado de telefonia celular em 2007, nunca tenha sido visto pela Apple como um terreno fértil para seus produtos. Pudera, pois as vendas da gigante da tecnologia no mercado brasileiro, em 2007, registraram a cifra “simbólica” de R$ 24 milhões de dólares, míseros 0,1% do faturamento total da empresa ao longo do ano passado ao redor do planeta. E isso levando-se em conta a estimativa de que 90% dos iPods vendidos por aqui sejam importados ilegalmente.
Bom, o fato é que ao longo de sua história a Apple conquistou o direito de não ser questionada por suas ações estratégicas e, assim sendo, melhor seria não questionar se ela deveria ou não investir no nosso país. Mas parece que essa condição secundária na lista de prioridades da empresa de Steve Jobs parece estar mudando: este alto potencial de consumo no mercado de telefonia móvel, crescente a cada ano, trouxe alguns executivos da empresa à Brasília, em dezembro, para sondar o governo e, quem sabe, produzir por aqui um de seus produtos mais cobiçados: o iPhone.
O site da Revista Exame publicou a declaração de um dos participantes da negociação entre a Apple e o Governo Federal, que pediu para não ser identificado, dizendo que “a Apple sondou incentivos de importação para trazer o iPhone mais barato ao país e chegou até a oferecer como contrapartida o investimento de 5% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento, como fazem as empresas beneficiadas pela Lei de Informática. Mas o governo não deu sinal positivo porque não teria como justificar a concessão para uma empresa que não produz aqui”.
Essa negociação deve render boas especulações ao longo dos próximos anos, mas é provável que de uma forma ou de outra a “maçã” acabe voltando os olhos aos brasileiros muito em breve. O Brasil é o sexto maior mercado consumidor de telefonia móvel do mundo e, se somarmos Áustria (onde o iPhone foi lançado em março) e Irlanda (onde o aparelho chega em abril) chegamos a uma população pouco superior a 12 milhões de pessoas, um décimo do total de celulares ativos no país atualmente. Ah, e aí quem sabe dê pra criar uma conta no iTunes Music Store pra baixar as capinhas dos meus MP3 de uma forma mais automatizada… hehe..